Durante muito tempo, habituámo-nos a olhar para a idade como uma espécie de rótulo profissional. Os mais jovens eram vistos como demasiado inexperientes; os mais velhos, como menos adaptáveis ou distantes da inovação. Esta visão, ainda presente em muitas organizações, traduz-se frequentemente num desperdício de talento alimentado por preconceitos geracionais.

Num mercado de trabalho em constante transformação, a diversidade pode ser uma vantagem competitiva: gerações a trabalhar lado a lado, convivendo no mesmo espaço profissional, trazendo experiências, perspectivas e formas distintas de pensar, comunicar e trabalhar. A própria OCDE concluiu, no relatório – Promoting an Age-Inclusive Workforce, que empresas com maior diversidade etária tendem a ser mais produtivas, precisamente devido à complementaridade entre experiência e inovação.

Ao mesmo tempo, a realidade demográfica europeia torna esta discussão inevitável. Em 2024, mais de 21% da população da União Europeia tinha já mais de 65 anos (Eurostat), um número que continuará a crescer nas próximas décadas. Em Portugal, o envelhecimento da população obriga a repensar os modelos tradicionais de atracção de talento.

Poucos sectores ilustram tão bem esta transversalidade etária como a venda directa. São raros os modelos de negócio que conseguem reunir pessoas tão diferentes e promover uma colaboração tão natural entre gerações. Talvez porque, na sua essência, a venda directa continua a depender daquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir totalmente: relações humanas, confiança e capacidade de comunicação.

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in sapo.pt – Por Gee Soares, vice-presidente do IPVD e directora-geral da Herbalife

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